MASUDA GOGA (1911-2008)
Cortesia da coordenadora Débora Novaes de Castro

Biografia: H. MASUDA GOGA (1911-2008)

H. Masuda Goga é haicaísta e estudioso do haicai, compondo tanto em português como emjaponês. É seguidor de Nempuku Sato, mestre já falecido e responsável pela divulgação do haicai entre os imigrantes japoneses no Brasil. Em maio de 1987, participou da fundação do Grêmio Haicai Ipê. Em agosto de 1993, liderou a fundação do Grêmio Haicai Caleidoscópio, tendo em vista o estudo e a composição de haicais encadeados (renku). Suas pesquisas sobre o haicai no Brasil remontam a 1936. Travou relações de amizade com os poetas Jorge Fonseca Júnior e Guilherme de Almeida, com quem trocava idéias sobre a composição do haicai, tomando como exemplo o modelo japonês. No Japão, é associado à revista "Yuki", de orientação tradicional, editada por Kôka Muramatsu. Também é pintor.


Nota de Falecimento
:

Masuda Goga , o Mestre Goga,
(Hidekazu Masuda 1911-2008)
morre em São Paulo, aos 97 anos de idade

O haicai brasileiro, enlutado. Há 28 de maio próximo passado, o mestre japonês, co-fundador do Grêmio Haicai Ipê-São Paulo (1987), fez a sua última viagem, e foi sepultado no jazigo da família Masuda, cemitério do Araçá, São Paulo. Estiveram presentes parentes, amigos, e associados do Grêmio Haicai Ipê de São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. O monge Francisco Handa, do budismo zen, foi o oficiante do cerimonial. A família haicaísta brasileira, enlutada; mas seus fazeres artístico-literários,
seu zelo, empenho, e gosto em registrar os momentos especiais da vida, se tornam em herança para toda a humanidade.
De Goga, a nossa saudade. O colorido dos seus haicais continuará iluminando o nosso vale.

Débora Novaes de Castro


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(matéria do www. kakinet.com)

Em cima do túmulo,
cai uma folha após outra.
Lágrimas também...

Primavera alegre
Os namorados com walk-man
Percorrem o parque.

Flores silvestres
pequeninas e sem brilho
à espera de abelhas...

O ano fenecendo...
preocupação nenhuma:
só penso em haiku!

As nuvens douradas
Flutuam no pantanal
- florada de ipê

Paineira em flor:
Casa-grande abandonada,
sem telha nem porta

Libélula voando
pára um instante e lança
sua sombra no chão

Eco dos trovões:
O aguaceiro, de repente,
faz subir o rio

À noite... sozinho...
me deixam mais pensativo
os cantos de insetos

Uma aldeia pobre,
ao pé da serra de inverno -
mina antiga de ouro

VALE DOS HAICAIS