Cloves
Marques
Cortesia
da coordenadora Débora Novaes de Castro
Biografia:
Cloves Marques
Escritor, poeta, fotógrafo,
com formação em Engenharia Civil, natural de Delmiro Gouveia/AL,
nasceu em 10 de setembro de 1944. Reside, há mais de 40 anos, no
Recife/PE. Publicou, entre outros, Pra não Morrer de
Amor (poema), É Eterno, Mas é Preciso
(poema), Crônicas do Encontro (crônicas),
Umareru – Instantâneos
de Natal (haicai), Haicai ao Recife
(haicai), Máscara em Haicai (ensaio, haibum
e haicai), 365 Haicais de Sol e Chuva (haicai
– premiado, em 2005, com Menção Honrosa, pela Academia
Pernambucana de Letras e Conselho Municipal de Cultura do Recife); no prelo,
100 Tancas de Amor Amado (tancas - premiado com Menção Honrosa,
em 2006, pelo Conselho Municipal de Cultura do Recife). Participou de diversas
exposições fotográficas e de antologias. É sócio
efetivo da Academia de Letras e Artes do Nordeste, da Academia Recifense
de Letras e membro da UBE/PE.
*
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Paz na
caatinga.
A trovoada guardou
água na moringa.
Se a chuva não vem,
o pensamento é pungente,
a fome também.
Ah! Terrível
estio.
A menina cumpre sina
procurando um rio.
Caça
gotas d’água
no leito seco do rio:
lágrimas guardadas.
Na ponta
dos pés,
o menino não alcança
um sonho-caju.
Bem à
luz do dia,
a fome assaltou um homem.
A justiça espia.
Cor de
sangue-vinho
a flor do mandacaru
que vem entre espinhos.
À festa
das pontes
o Recife diz presente
com rios e fontes.
Singra a canoa
leva gente, busca peixe,
deixa a fome à toa.
A Deus, numa prece,
pede água pro sertão.
Mais sol de nenesse.
