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Haicai/Haikus
Polêmicos - De como algo divertido pode se tornar um pesadelo
Caras
Poetisas e Caros Poetas
Haicai com título ou sem título?
Haicai com 3 versos, 4, 5, 6?
Não há consenso no mundo inteiro acerca disso.
Aliás, se verificarmos o histórico da introdução dos haicais no Brasil
pode-se verificar que há uma tradição maior, mais brasileira em nominá-los do
que o contrário.
Eu não me permito ser cerceado por qualquer outra cultura presente no
Brasil. Se alguns grupos da vida gostam de rigidez, locupletem-se.
Me baseio no que admiro. O Millôr Fernandes, cujos haicais conheço desde
garoto quando lia a revista O Cruzeiro de meu pai, cria poemas Haicai com
rimas.
Exemplifico com seus últimos haicais publicados:
Menino chorando
As lágrimas no chão
Vai contando.
Turistas
Viajam
Entre cambistas.
E o medo que mete
Esse espelho
Que não reflete?
Se eu fosse formalista talvez não gostasse das rimas, e até poderia dizer:
"que horror!", mas não é o meu caso.
Outro, esse atual, que está na net, o Custodio, não sei se vc conhece, que é
hilário também, compõe de forma leve e solta.
Últimos haicais publicados do Custodio [indicado pelo Paulo Franchetti]:
http://www.custodio.net/
Sem talento algum
sou fusca metido
a formula um
No meu quarto de manhã
o sol desenha
um mondrian
Fato a fato
a história toda
é um boato
No caminhão da mudança
tem sempre espaço
pra esperança
Sou cachorro sem dono
se você não está
quando telefono
Como vemos, com rimas.
Acrescento a tradução de um poema-haicai de Basho para o inglês:
The first soft snow!
Enough to bend the leaves
Of the jonquil low.
[fácil verificar snow e low]
O site dos Galarzas de Portugal (recomendado pelo Paulo Franchetti, vc deve
conhecê-lo, já que tem projeção internacional como Poeta Haicai, vide
http://www.kakinet.com) é http://thehaiku.blogspot.com/
Mostro alguns publicados por eles:
Haiku Alívio
Manhã cedo
Abrem-se os olhos e
Vê-se
Khaiku
Bate leve levemente
com o rabo
no cimente.
Haiku Lavado
O seu maior
atributo era lavar-se
no aqueduto.
Irreverentes, não?
Eu procuro escrever para me entreter e entreter os leitores. É meu modo.
Procuro aprender com os mestres nisso.
Me desculpe se vc acha diferente. Eu respeito. E espero que não se aborreça
por isso.
Posso indicar a Mestra Débora Novaes de Castro [http://www.haicai.com.br/]
onde ela coloca, entre outras coisas que "Titulação - Não há titulação
no haicai oriental; no ocidental, latino-americano ou brasileiro pode haver
ou não."
Em Portugal, por um outro exemplo, é mais comum os haicais titulados.
Nos Estados Unidos, mais um outro exemplo, há versos em números variados.
Eu respeito as pessoas que querem se ater à origem japonesa. Mas
acontece que além da linguagem ser diferente, a grafia é totalmente diversa
da grafia ocidental.
If you want in English, vc pode acessar:
http://www.toyomasu.com/haiku/ , se considerar adequado.
Se você
ama haicais, recomendo o artigo do Marcelo Spalding (Digestivo Cultural,
conhece? É muito bom!) onde ele está indicando a leitura do livro
"Flauta de Vento" do mestre sino-brasileiro Teruko Oda [
http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=1743 ].
No modo mais rígido, formalista, há que se ater aos Dez Mandamentos dessa tendência.
[Ora, os Dez Mandamentos que posso me ater, já que me foram ensinados desde a
infãncia (que na verdade nem são Dez, leiam a Bíblia que é sempre bom) são os
da Lei de Deus e é opção minha.]
Como gosto também do Guilherme de Almeida, prefiro a esse do que aqueles, mas
é uma questão de gosto pessoal.
Evidente que não quero polemizar, até porque não estamos aqui para isso, não
é mesmo? O que quero é me explicar, do porquê, minhas razões de fazê-lo numa
tendência, digamos, mais com cara de Brasil.
E, como fica claro, assim como respeito os poetas que optam pelo formalismo
sino-brasileiro, do mesmo modo, gosto de ser respeitado na minha opção
milloriana, mais guilherminiana. Assim, creio, mais brasileira.
É minha opção.
Quando publiquei a "poetrix" Nomes de Haicais, acreditei que estava
sendo claro nisso. [Cada qual na sua preferência, é isso e mais:eu respeito!,
o que quer dizer que a recíproca deve ser verdadeira]
Abaixo o texto:
não numero haicais
acho digno dar título
referência de círculo
"íntimos se nominais"
Aliás, numerar
é entitular...
é meu proveito
mas cada qual
no seu grau
tem um jeito
eu respeito.
Abraços fraternos
Joseph Shafan
Eu fico pensando se eu quiser escrever, por exemplo, poesia de trás pra
diante, e o leitor gostasse, será que alguém iria reclamar? Se, num rondó eu
quiser inverter a posição das quintilhas com os tercetos, colocando o refrão
no início, será que seria criticado na forma? E, se amanhã ou depois, um
"louco" qualquer se dispor a realmente fazer isso e, na sequência,
se criar uma corrente que defina isso como genialidade, um novo modernismo,
digamos, talvez ninguém critique mais. Poesia, como sabemos, é palavra
originada do grego poiesis, criação, pelo latim poesis. Logo, também o
sabemos, fazer poesia é criar. Assim, criação não pode ser cerceada. Senão
deixa de ser criação. Assim deixa de ser poesia.
Lembretes da Constituição da República Federativa do Brasil:
Art 5º - II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude da lei;
Art. 5º - IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o
anonimato;
Art.5º - IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística,
científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
Art 5º - XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização,
publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo
tempo que a lei fixar.
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(Copyright © 2005 A.José
C.Coelho. Todos os direitos reservados.)
Joseph Shafan
Publicado no Recanto das Letras em
03/12/2005
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Últimos comentários
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04/01/2006 14h26 - Débora Novaes de Castro
Caro Joseph: Agradeço sua menção ao site www.haicai.com.br,
sob nossa coordenação,ao comentar a liberdade com que se constrói os poemas
haicais em todo o mundo, especialmente em nosso país. A nossa tese de
mestrado O HAICAI NO BRASIL: Comunicação & Cultura,Puc-SP,abril/2004,
procura mostrar o que se tem produzido em nosso país, tendo em foco os
modelos da síntese poética - não defendemos este ou aquele modelo - tão
somente mostramos as escolas, estilos ou posturas: a oriental,
guilherminiana e moderna ou livre. DNC,autora, escreve nos três estilos.
Quanto à titulação mencionada em seu texto ao se referir a nós, depende de
que modelo estamos nos orientando para a criação do novo haicai,assim
também para as rimas. O importante é que seja um "instante
especial" flagrado pela sensibilidade do poeta, colhido no momento
único do seu acontecer,e obedecendo-se a parâmetros especiais como o número
de versos, vislumbre, escolas, entre outros para que realmente seja um
haicai. Finalizando, costumamos dizer que "o haicai canta e encanta
seuscriadores, pesquisadores e apreciadores. Parabéns pelo texto Débora
Novaes de Castro www.haicai.com.br 4 de jan.2006
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29/12/2005 11h05 - valeria
Lendo toda essa polêmica , onde me sobressai mas que tudo
uma fina arrogância do "entendido no estilo" me vem a lembrança a
poesia simples de Mario Quintana...onde a beleza do que escrevia nem
precisava de explicações.
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03/12/2005 18h35 - Charlles
Nunes
Caro Shafan: Seu texto é extremamente esclarecedor. Continue
assim, enriquecendo nossa literatura com suas contribuições. É muito bom
ter como amigo alguém que se ocupa em indicar bons caminhos aos demais.
Aquele Abraço!
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03/12/2005 09h38 - Lilipoeta
Concordo com o texto do Emilio. Eu admiro o poeta baiano
Goulart Gomes que encontrou um "jeitinho brasileiro" de escrever
os poemínimos, dando-lhe o título de POETRIX. Também acredito que cada um
deve se expressar da maneira que desejar, desde que respeite a grafia das
palavras e não lhe dê títulos que não lhe cabem. Tenho um profundo respeito
por aquilo que já foi CRIADO, o que é o caso do HAIKAI e do POETRIX... e se
há regras estabelecidas anteriormente para escrevê-los, eu devo
respeitá-las. Se a minha inspiração me leva a escrever um poema de quatro
versos e que usa o ego como base, então eu não o classifico como haikai...
Como disse Emílio, é uma questão de coerência. De qualquer forma, quero
deixar muito claro, que ADMIRO suas LETRAS, seus poemas, com títulos ou
não, assim como admiro Millor Fernandes, embora não concorde que o que ele
fez seja haikai. Desejo muito sucesso em suas letras. beijos daqui
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03/12/2005 06h48 - EMILIO
CARLOS ALVES
Meu caro Shafan, Muito bom o teu texto. Bem
esclarecedor.Concordo com a liberdade que o poeta deve ter para exercitar a
sua lira. Até aí, tudo bem.Só não concordo quando as pessoas não guardam um
mínimo de coerência para com aquilo que pretendem realizar. Exemplos:
sonetos de 15 ou mais versos, haikais de 10 versos, etc.Entendo que se há
de seguir um certo padrão e respeito por algumas normas, sob pena de
inaugurarmos o reino do caos.Se o poeta preferir compor um poema de 30
versos é livre para fazê-lo, só não diga que fez um haikai, ou compôs uma
trova.Um abraço,Emílio.
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